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Nome: Alessandra

Apelido: Alesinha

Onde moro: Santo Andr� - SP

Meu objetivo: come�ar meu mestrado

Meu filho: Mio meu gato de 13 anos

Meu amor plat�nico: Paulo Roberto

Menor peso: 38 Kg

Maior peso: 53 Kg

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03/01/2004 21:20
Oi Meninas, tudo bem?
Voltei ontem da praia, foram quase duas semanas afastada da civilização, porque apesar de ficar numa casa com um monte de vizinhos chatos e barulhentos, permaneci distante das pessoas, ou pelo menos tentei permanecer afastada, as pessoas não entendem quando alguém prefere ficar sozinha mas isso é outro papo. Bom, vou começar do começo, ano passado eu fui demitida e fiquei muito mal, achando que nada mais daria certo pra mim e só a morte poderia me livrar do sofrimento, dia 21 de dezembro, as 7:30 da manhã eu parti rumo ao meu destino, meu pai me fez a gentileza de me dar uma carona até Mongaguá, afinal a casa é dele e fazia tempo que ele não ia lá e resolveu aproveitar a situação para dar uma olhada na casa. Meu pai comprou essa casa quando eu tinha 13 anos, ou seja, a casa tem 19 anos, quando a comprou, a rua ainda era de areia, não tinha calçada, tínhamos que pular um brejo para entrarmos dentro dela, era uma das poucas casas que existiam naquela rua, hoje a rua já é asfaltada, temos calçada e praticamente todos os terrenos tem casas construídas. Vivi muita coisa legal lá, levava minhas amigas e nos divertíamos a valer, não saíamos do mar, à noite a gente saia para paquerar, coisas normais de qualquer garota. Infelizmente, as brigas constantes dos meus pais, foram diminuindo a nossa freqüência à praia, ficávamos anos sem ir pra lá, até que achamos uma senhora que cuidasse da casa, abrisse de vez em quando, dar uma varrida no quintal, aparasse a grama e etc. Tudo ia bem, porém uma casa precisa de constantes consertos e como isso não era possível, a casa se tornou uma casa velha, o telhado afundou, as pombas tomaram conta do forro, o muro cedeu, a cor da casa mudou de bege para preto esverdeado, as formigas comeram literalmente as portas e janelas de madeira e mais um monte de coisas que deixaram a casa com aspecto daquelas casas abandonadas dos filmes de terror, juntou com o fato da senhora não dar mais conta de cuidar da casa, por causa da idade (78 anos), isso deixou meu pai muito triste e quando ele se foi, tinha uma tristeza no olhar por saber da situação da casa e não poder fazer nada, pra variar meu pai também vive sem grana, e eu fiquei triste também. Até então, eu não sabia do estado da casa, fazia anos que eu não ia pra lá, quando cheguei, levei um susto, encontrei a casa muito suja e meus planos começaram a se modificar, eu tinha a intenção de ir pra lá, comer bem pouco, ou não comer nada se conseguisse, deitar na cama e esperar morrer, porém eu tive que trabalhar que nem uma condenada por dois dias seguidos e devido ao meu esforço, eu tive de comer para manter a energia pra trabalhar, a casa ficou mais ou menos por dentro e por fora eu não consegui fazer grandes mudanças. Não levei televisão, apenas alguns livros com os quais passava a maior parte do tempo, na primeira semana, choveu praticamente todos os dias, no dia 24, minha irmã casada, sem eu imaginar, apareceu lá em casa me convidando para passar a ceia de natal na casa da sogra dela, que mora em Mongaguá também, eu não queria, pois sabia que ia ter MUITA comida, mas pra não dar uma de chata, eu fui e fiquei boba com a quantidade de comida que tinha naquela casa, pra ter uma idéia tinha polvo cozido, bacalhau assado, salada de bacalhau cru, bolinho de bacalhau, arroz, filé de pescada, churrasco, camarão frito, dois tipos de salada verde, rabanada, mousse de chocolate, além das bebidas, vinho, refrigerante e cerveja, eu quase MORRI de tanto comer e cansei de ouvir: “come! você não come nada!”, foi duro, eu não sei o que acontece com as pessoas, qualquer motivo tem que ter muita comida, me dá a impressão de que eles não comem para viver, eles vivem para comer, eu fiquei entupida de tanta comida. Poderia passar um mês sem comer absolutamente nada, de tanto que eu comi naquela casa, me senti muito mal, deve ser um prazer muito grande ver os outros comerem, eu não tenho esse prazer, comer pra mim é sinônimo de gastar dinheiro, queria comer um grão de arroz por dia e ficar bem, enfim... A meia noite teve Papai Noel devidamente vestido a caráter e aí começaram a distribuição dos presentes, batíamos palmas e gritávamos sempre que o Papai Noel chamava alguém, realmente uma grande festa, eu não tava muito no espírito da coisa, mas bati palmas e gritei como todo mundo, não foi difícil fingir que estava feliz, aliás, eu vivo fazendo teatro. Essa parte foi legal, até ganhei presente, um livro que minha irmã me deu, adorei. No dia 25 eu acabei voltando lá para o almoço do natal e pra variar tinha tanta comida quanto o dia anterior, e pior, tinha coelho assado, eu quase tive um treco quando vi o bichinho aberto no meio e mais impressionada eu fiquei de ver as pessoas devorando ele. Engraçado é que saiu um papo de matar barata e lagartixa, e a sogra da minha irmã disse rindo que a lagartixa é um animal que merece viver e não devemos matá-las, engraçado foi ver ela dizendo isso e segurando um pedaço do coelho que ela assou só para comer, a lagartixa merece viver, mas o coelho não, estranho à opinião dela né?! Ouvi muito “come! você não come nada!” e mais uma vez me senti péssima de tanto que eu comi, horrível! Voltei pra casa já achando que não ia conseguir emagrecer uma grama sequer, se bobear, até tinha engordado...
No sábado fez sol e eu finalmente pude ir a praia, ia cedo e ficava até a hora do almoço, depois à tarde eu descansava e lia um pouco, porém os vizinhos vinham me perguntar como é que eu conseguia ficar ali naquela casa sozinha, me convidavam para ficar com eles, eu não negava, mas também não ia, teve um dia que um dos vizinhos praticamente me obrigou a ir a praia com a filha dele, uma mocinha de uns 18 anos, simpática a menina, mas não gostei nem um pouco, sou anti-social mesmo. Cada dia que passava a praia ficava mais lotada e eu comecei a ficar incomodada com as atitudes das pessoas, eu via famílias inteiras deixando todo tipo de lixo na areia, sempre com um monte de crianças pequenas, não entendo como esse povo consegue colocar tanta gente no mundo, a situação está ruim, emprego está difícil de achar, dinheiro falta pra qualquer coisa, mas filho ninguém deixa de fazer, e o pior é que eles não tem paciência com as crianças, gritam e metem a mão na cara dos coitados, aí eles choram sem parar, a praia virou um inferno! Em casa, os vizinhos ouvindo aquele pagode no último volume, de tanta gente que desceu, a água acabou, caos total no litoral! Irritada, eu fiquei pessimista, pensando em tudo quanto é coisa ruim, e a noite, na hora de dormir, juntava todos os pensamentos ruins com medo de barata, aranha, pernilongo, monstro, E.T. e ladrão, comecei a tomar um remédio para dormir mais rápido, isso me ajudou um pouco. Em casa eu ficava pensando em Deus e na minha eterna briga com ele, no final acho que fiz as pazes com ele. Cheguei à conclusão de que se nessa vida eu não sou feliz, quando eu morrer saberei o motivo e terei outra chance de ser feliz um dia. Como é bom acreditar que somos espíritos eternos e que depois da morte do corpo, continuamos vivos em espírito. Dá uma paz, pena que a sociedade impõe que vivamos sempre no máximo limite dos prazeres e se não conseguimos isso nos sentimos péssimos e nos julgamos azarados imprestáveis e o pior de tudo, infelizes. Eu muitas vezes me sinto infeliz por não conseguir corresponder ao que a sociedade impõe. Que mal há em passar uma encarnação sem se casar e ter filhos? A sociedade impõe isso e eu, muito fraca, me sinto culpada por não ter sido amada por ninguém...
Um dia voltando da praia, recebo um recado de minha mãe, era meu antigo chefe querendo falar comigo, liguei pra ele e dia cinco vou ao escritório pra pegar um serviço, fiquei feliz, fiz tanto pensamento positivo que acabou aparecendo alguma coisa pra mim. Isso adiantou a minha volta a São Paulo, se não fosse isso, eu ficaria até dia oito. Aproveitando a folga do meu pai, ele foi me buscar lá na casinha, pegamos trânsito, mas chegamos são e salvos. Tenho muito mais coisas para falar, mas esse virou o post mais longo do mundo e quem conseguir chegar até o final, vai ir pro céu e virar um anjo.
Meninas do meu coração, obrigada pela imensa força que vocês me dão, aos poucos quero ir visitando o blog de cada uma pra saber como estão, eu sei que essa época de festa e muita comida nos deixa muito triste, mas eu queria dizer que no final do ano passado eu estava quase sem esperança nenhuma, e hoje eu sinto uma pontinha de esperança, bem pequena, mas quem sabe ela não cresce. Eu gostaria muito que vocês sentissem o mesmo, gostaria muito de plantar uma sementinha de esperança em cada coraçãozinho de vocês; eu sei que amanhã ou depois eu posso voltar a ficar deprê, mas HOJE, eu digo que estou com esperança e quero estendê-la até vocês.
Um beijão a todas
Alesinha
enviada por Alesinha






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